terça-feira, 29 de junho de 2010

É impossível não acabar sendo do jeito que os outros acreditam que você é.

(Júlio César)

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Paz Social

Há tempos ouvimos falar em paz social, em mudanças de legislação, em punições mais severas e em atos drásticos para que a harmonia na sociedade seja estabelecida. Contudo, os fatos revelam-nos que tal propósito não permanece mais que um mês e logo dá lugar aos interesses de associações políticas. Além da falta de empenho da instituição Estado para punir quem ameace seu povo, e consequentemente a paz desejada por ele, as manifestações públicas são fato flagrante para que essa permissividade, para com as ameaças à população do país, continuem ocorrendo.

Iniciativas inexpressivas, que teoricamente traduziriam o sentimento de indignação e protesto de um país, são o pouco que se vê para lembrar as vítimas - que ilustram a impunidade dominante. Após um, cinco, dez anos do fático acontecimento lamentamos mais uma vez a perda, sem que nada tenha mudado, e assim, depois do momento de compaixão tudo volta a seu lugar.

Cada fato penoso e não punido devidamente no país traz consigo mais uma porção de medidas que não passam de promessas vazias, colecionadas por cidadãos em todo o território nacional. Acontecimentos diários, e com reações que duram dois ou três dias, até que sejam esquecidas novamente tanto por poder público como por população; que agora enxerga fatos bárbaros como naturais.

Reivindica-se paz, sem que se pense em lei. E assim, na falta de sentido do clamor social e das atitudes do governo ainda há quem acredite em paz social sem associá-la à utopia, a sonho distante. Será realmente objetivo de alguém estabelecer essa paz apregoada por tantos se no momento seguinte a acontecimentos lastimosos já o esquecemos, fingindo compadecer-se para que a parte politicamente correta que ainda existe em nós se cale.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Lulinha


Luís Inácio “Lula” da Silva, nome bem visto no ocidente, adorado por grandes líderes mundiais, ídolo para muitos e figura inegavelmente carismática. Conquistou ao longo de seus dois mandatos seguidores dentro e fora do país que governa.

Mas, ainda assim nunca foi unanimidade. Seus críticos e opositores, em suas investidas mais fervorosas, não obtiveram sucesso algum em sua missão de manchar a imagem do mandatário brasileiro. Entretanto, não contavam com a ajuda que o próprio Lula daria ao colocar-se em lado oposto a Europa e América, e para que não houvessem enganos o destemido presidente ficaria ao lado do Irã, país temido e antipático a olhos ocidentais. Ahmadinejad – presidente do país do oriente médio - e seu comparsas perceberam essa rica oportunidade; o queridinho do outro lado do mundo oferecendo seus favores, e assim, com acordos feitos a prestação ganharam notoriedade e tempo para saber como agir com seus planos nucleares.

O iraniano aproveitou-se do excesso de bondade brasileiro que em seu anseio em praticar boas ações caiu na arapuca do oriente. A oposição conseguiu o que queria, tornou o venerado Lula ruim para muitos e o fez perder o posto de “O cara” que havia sido dado a ele por Obama.

terça-feira, 18 de maio de 2010

O Padeiro


Por Rubem Braga


Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento – mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante me lembro de ter lido alguma coisa nos jornais da véspera sobre a “greve do pão dormido”. De resto não é bem uma greve, é um lock-out, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que obrigando o povo a tomar seu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o que do governo.

Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quanto vinha deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, mas para não incomodar os moradores, avisava gritando:

- Não é ninguém, é o padeiro!

Interroguei-o uma vez: como tivera a idéia de gritar aquilo?

“Então você não é ninguém?”

Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes acontecera bater a campainha de uma cada e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: “não é ninguém, não senhora, é o padeiro”. Assim ficara sabendo que não era ninguém…

Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-lo para explicara que estava falando com um colega, ainda que menos importante. Naquele tempo eu também, como os padeiros, fazia o trabalho noturno. Era pela madrugada que deixava a redação de jornal, quase sempre depois de uma passagem pela oficina – e muitas vezes saía já levando na mão um dos primeiros exemplares rodados, o jornal ainda quentinho da máquina, como o pão saindo do forno.

Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porque o jornal que levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônica ou artigo como o meu nome. O jornal e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro do meu coração eu recebi a lição de humildade daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; “não é ninguém, é o padeiro!”

Eu assobiava pelas escadas.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

André


O volume de seus cabelos, já visíveis de longe, o identificam sem grandes problemas. Paulistano, 19 anos, fã de sons tidos como "Pop" e torcedor desplicente do São Paulo Fuebol Clube. Esse é André Ribeiro Calixto ou como prefere ser chamado André Goyano, adotando assim o último sobrenome de seu avô materno. Apesar de gostar de holofotes não fez questão alguma que algo à seu respeito fosse escrito, dizendo não fazer muita diferença, mas pronto a responder qualquer questionamento.

Dono de algumas manias no mínimo esquisitas, como: estralar o cotovelo e fazer o mesmo com os dedos a todo momento. O garotão sabe ser simpático quando quer, e assim o faz. Impaciente, ao ver as primeiras letras do texto sobre ele sendo escritas faz questão, em tom autoritário, de ver com detalhes como tudo será feito. E cobra quando as peguntas demoram um pouco mais a sair. Canhoto por natureza em sua infância sonhava ser desenhista e inventar personagens que encantassem as próximas gerações, ainda costuma desenhar, mas com menos afinco.

André é tido em seus círculos sociais como o mais ilustre figurante de novelas e comerciais que já conheceram. "Famosão", como os mais esperítuosos, que nem sempre tem piadas tão boas, o chamam. O contato fugaz que teve com "celebridades" em seus trabalhos dão mais orgulho a ele do que suas arrojadas manobras na bateria, que é outra de suas atividades. Em suas aventuras, vistas em horário nobre da televisão brasileira, se destaca pela autura e por esse motivo é facilmente reconhecido.

Gosta de adornos. Relógio, pulseiras, colares, munhequeiras e afins são peças indispensáveis ao sair de casa. Os cabelos merecem tempo exclusivo, tratamento especial para a moldura do rosto. Uma bela olhada no espalho antes de apagar as luzes na despedida, e pronto está tudo em ordem - ou quase tudo. Quem o acompanha tem que se adaptar ao mesmo ritual, se não quiser ser achincalhado. "Você tem que se arrumar direito", diz ele, "Anda muito desajeitado, mal vestido do meu lado". Sem tréguas fita cada tonalidade de camiseta ou calça de sua companhia. Fui reprovado no teste, mas percebendo que não havia jeito concede-me mais alguns momentos.

Bem mais tarde, mais despojado e esparramado na cadeira em frente ao computador, tem os olhos ansiosos e já põe-se a roer as unhas esperando que os letreiros na televisão subam, anunciando o fim da Sessão da Tarde e assim abrindo as portas para Malhação, uma das pricipais atrações do dia.



(Continua...)

terça-feira, 11 de maio de 2010

No dia em que todos palpitam...


Eu também faço questão de palpitar.
Ah se eu fosse o Dunga!

Goleiros:

- Júlio César
- Marcos
- Victor

Zagueiros:

- Lúcio
- Juan
- Thiago Silva
- Miranda

Laterais:

- Maicon
- Daniel Alves
- Gilberto
- Roberto Carlos

Meio-campo:

- Felipe Melo
- Elano
- Ramires
- Gilberto Silva
- Júlio Baptista
- Paulo Henrique Lima
- Kaká
- Ronaldinho Gaúcho

Atacantes:

- Luís Fabiano
- Robinho
- Nilmar
- Grafite

Será?

terça-feira, 13 de abril de 2010

Pior para alguns

A cidade que será sede dos jogos Olímpicos no Brasil vive dias de confusão generalizada e caos. As fortes chuvas que atingiram o Rio de Janeiro na ultima semana trouxeram a tona problemas que não limitam-se apenas ao território carioca. Prova disso foram os fatos parecidos que o estado de Santa Catarina e a cidade de São Paulo enfrentaram recentemente.


Esse tipo de problema, embora inesperado, não é novo por aqui. E por incrível que pareça atinge sempre uma só classe social.


Os noticiários e coberturas da imprensa, no último caso, o Rio, parecem bastante com os já transmitidos antes. Em todos os casos citados aqui as contabilizações de vítimas fatais nos temporais davão-se nas extremidades, periferias das cidades atingidas. Sempre nos lugares onde as casas são menos sofisticadas. Coincidência sugestiva, que pode ser apontada como causa da falta de providencias para solucionar mazelas como essas.


Todos os passos dados em ocasiões assim já estão ficando até decoradas pela população. Primeiro espera-se que a fatalidade ocorra, que a chuva ou outros infortunios que surgem da natureza cheguem; lamenta-se o ocorrido, calculam-se as vítimas e prepara-se um discurso que coloca a culpa nas viradas repentinas do tempo ou coisas parecidas; após isso, como em outras tantas vezes, nada é feito.